Getting Myself Together


Terça-feira , 30 de Agosto de 2011


Cap II - A Descoberta.

E era noite por Ismalath, quieta, sonolenta, só as folhas tinham vozes em meio ao silêncio cortante, tão profundo que concentrado tinha-se a impressão de poder ouvi-lo. Por além das montanhas a noite era praticamente eterna, as nuvens pareciam possuir vida, não espontaneamente, mas parecia que as nuvens dos lados de lá sugavam a toda a vida ao redor, prendendo dentro de si para manter-se viva, pesada, sombria. Assim é o céu das criaturas cuja perversidade parecia não ter fim, e ódio tão tênue e concentrado que se materializava em suas silhuetas na escuridão, exatamente igual as nuvens que os abrigavam na eterna escuridão. O solo em que pisavam adquiria o cheiro de suas peles, rudimentares, enrugadas, com feridas incuráveis interiores que, com o tempo, foram tão fortalecidas pelo ódio, se mostravam já como exteriores. E no chão o cheiro de enferrujado, estragado, mal cuidado, qualquer vida que obtivesse qualquer coisa boa em si e não fosse forte o suficiente a perdia facilmente e o vazio era preenchido pela escuridão.

Gwindor, o mais forte dos humanos e igualado a muitos elfos, sempre andou estas fronteiras acompanhado de Rodwin, com o tempo já andavam normalmente por estas terras, pois já haviam resistência o suficiente. Mas nunca entenderam porque esta terra estava deste jeito, por que o sol nunca chegava ali. Era a pergunta crucial, que Gwindor fazia frenquentemente àquela terra e a si mesmo, "por que o sol nunca chega verdadeiramente a mim?". Pois por todas as suas caminhadas por aquelas bandas nunca vira e muito menos ouvira nenhuma criatura estranha e repugnante pelo lugar. Mas o cheiro estava por todo lugar, tão forte, por todo lugar, que se ao desconcentrar parecia que o cheiro vinha de si mesmo. Gwindor, então disse: - esse cheiro é impregnador, amigo, enquanto estiver aqui, cheiraremos como eles.
- Sim, agora nos resta saber. Eles quem? - respondeu Rodwin, com um olhar compenetrado de seus olhos castanhos e arduamente profundos. - Eles ainda não descobriram que os Ógloraks viviam mais de baixo da terra do que por cima. E que em seus lares, nas profundezas da Terra, era incontavelmente mais concentrado o horror do que eles podiam ver na superfície. Mas neste dia, eles iriam descobrir isso. Ao caminhar pela superfície amolecida, como se fosse lama constantemente úmida, eles podiam sentir a terra tremer, ao mesmo tempo que andavam, quando de repente, duas mãos agarraram as duas pernas de Rodwin e fizeram força para baixo mas dum salto com a impulsão mais forte que um soco se livrou das mãos opressoras que o puxavam para baixo e pousando como uma águia sobre uma rocha, sendo rapidamente seguido pelas largas passadas de Gwindor até a mesma.

Claro, não precisava ser o mais inteligente dos homens para saber que naquele terreno o verdadeiro terror estava onde não se podia ver. Estava mais do que claro que a habitação das abomináveis criaturas se encontrava abaixo de onde você pisa. Logo Rodwin disse: É como dizem, mesmo com o pé no chão. Se o chão no for firme, você ainda não está a salvo. Com um leve consentimento de cabeça, Gwindor não hesitou em concordar. Esboçou a vontade de reiterar o dito de seu fiel amigo, mas foi interrompido pelo mórbido tremor de terra. Mais estranho do que o comum, pois, dava para sentir que não era toda a Terra ou uma grande parte de Terra que estava tremendo e sim lugares específicos, para ser mais exato, só onde a própria terra se movimentava, como se um grande animal que vive por entre a terra e o subsolo estivesse prestes a submergir em todo o seu furor. E a teoria não estava errada, corroborando o fato de que eles de fato viviam no subsolo. Então, puderam ver muitos, incontáveis mãos cavando de baixo para cima, de súbito puderam ver cabeças, ombros, asas e as pernas. Em menos de dois minutos puderam ver, praticamente, um exército maligno a sua frente. Então entre olharam-se, encostaram em suas armas e então começaram a prova de quantos matariam até suas forças acabarem e morressem...

Essa é uma região que ficava perto do mar, apesar de toda escuridão, o literal continuava intocável. Sabe-se lá por que. Há boatos que a resistência do literal mora na pureza de uma guerreira élfica, linda e vigorosa. Delicada e rígida. Tão forte de se olhar e tão mais forte ainda de se ver em uma batalha e suas armas e seus braços não eram suas únicas armas, era mais conhecida por sua arma mais perigosa ser o seu cérebro. Era conhecida como Élfa do Mar, Elfa-Azul, Rainha dos Oceanos e por muitos outros nomes que os velejadores, pescadores a imaginavam. Contudo, o seu verdadeiro nome, Nowëttyn, carregada todos esses significados em si. Ninguém ousava a enfrentar em batalha, muito menos invadir sua ilha. Se o mau tinha algum pretensão de dominar o mundo, a Ilha de Imlanyör era, com toda certeza, o último alvo a ser conquistado e destruído.

- Nowëttyn! Nowëttyn! Corra, há algo de estranho, uma movimentação fora do comum sobre a Terra, posso estar errada, mas... - Dizia Nirling, enquanto apressada, já se levantava, Nowëttyn e corria como o vento, para a ponta da pedra que dava visão para a terra, onde mantinha sempre guarda.
- Como havia sentido! Sabia, são eles! NIRLING, CONVOQUE TODOS OS GUERREIROS PARTIMOS JÁ! - Respondeu com os pulmões cheios, olhos brilhantes e a expressão de uma rocha milenar!
E lá se foi Nirling correndo o mais rápido podia para convocar a todos. Muito mais rápido do que o esperado todos já estavam prontos em seus barcos, em direção à Terra firme. A ajuda!

- VAMOS LÁ! É AGORA!!! AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!! - Rodwin deu um salto para o meio de todos eles e com golpes na velocidade da luz ia os cortando como papel e logo atrás veio Gwindor gritando - VAMOS LÁ, QUANTOS VAMOS MATAR ANTES DE MORRER! APOSTO QUE SUPERO VOCÊ! AH-AH-AH! - Com uma risada sinistra e espantadora saiu do fundo da sua alma naquele momento em que tudo poderia dar errado. Um de costas para o outro com passos sincronizados, em círculos iam cortando, em horas levando golpes, mas nunca se rendendo, até o ponto que em que parecia uma simples questão de tempo para toda a força acabar. Não havia para onde correr, fosse pelo exercito ou pelos corpos mortos amontoados em volta de qualquer jeito. Por um segundo pararam, exaustos, e ao mesmo tempo exclamaram - ATÉ O FIM!!

Continuaram, matando e ao mesmo tempo se matando, até que se viram encurralados na rocha em que se firmaram por instantes antes da batalha. Era iminente, parecia o fim. Quando toda aquela escuridão se transformou em luz, parecia o sol, parecia a chegada do dia onde não havia dia. E tudo parou e todos olharam para cima. Lá estava ela, imponente, com seu arco preparado, sem nem pensar duas vezes gritou e mais rápido que o vento disparou flechas flamejantes sem errar um alvo se quer, e então Nirling levantando sua espada saltou para o meio dos três e em seguida 40 Elfos, todos poderosos, verde-cinza, fortes, tão fortes quanto a rocha atrás deles. Desde então o momento parou de ser uma luta para ser um massacre. Até que todos debandaram e só sobrarem os Elfos da Ilha o Homem e e o Elfo-Guerreiro.

Os dois ainda sem entender o que houve, então veem a forma em sua frente, o sorriso sarcástico, então as seguintes palavras os fizeram entender tudo:
- Quantas vezes terei de salvar vocês?! hi hi hi hi hi - e sorriu, graciosamente...

Escrito por Thiago Ayres às 01h56 PM
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Domingo , 10 de Abril de 2011


Contos de Elfos e Homens - Cap. I - Parte II


E amanheceu o dia no monte de Ismalath e também no Rio Estreito já se podia ouvir os barulhos dos peixes e das aves que iam lá se alimentar. Gwindor fora acordado pela luz do sol que já aparecia imponente e todo-poderoso sem quem o parasse. Foi quando bebendo das águas de um dos rios mais puros de toda Terra Média, ele a ouviu. Sim, a voz o confundira com as das doces águas a ponto de confundi-lo e o fazer achar que era o rio que falara com ele, tão limpidamente, quando ergue os olhos e a viu, tão quão imponente quanto o sol só que com uma pitada da doçura da Lua em sua pele. Era ela e ela era, o amor e a sua confusão, Lauriel tão brilhante quanto a aurora ela lhe falava:
- Por onde andou por toda noite? Esperei te encontrar, porém não viestes a mim. - disse ela.
- Eu também esperei me encontrar a noite toda. Mas, por mais que eu lute para me encontrar em qualquer outro lugar... - tomou fôlego e disse - só me encontro em você. Se minha mente fica confusa, é o seu nome que a coloca em ordem.
Ela então surpresa e de coração acelerado e em seus olhos contendo toda ternura que alguém pode ter, tinha se acostumado só ao desejo de ver o milagre, mas o mundo estava mudando diante dos seus olhos. Tinha se acostumado à visão do escuro, por todos os caminhos por onde tivera andando, todos eram solidão, todos eram sombrios, até o sol ela apreciava pela sombra que ele criava. Até este dia, até estas palavras. Ela nunca achou que seria presenteada de poder literalmente ver o mundo mudando dentro de sua mente, uma nova canção estava para surgir. Então ela correu, com seus movimentos de graciosidade levantou uma leve brisa que fizeram os cabelos de Gwindor voar, e se jogou em seus braços. Pois essa era uma canção para dois corpos, quatro lábios, uma canção que só se pode ser cantada por dentro. E ouvida por todos, todos que estivessem sensíveis ao seu som. Apesar de todas as diferenças que os colocam em polos extremos e distantes, aquele momento, aquele beijo, todo o amor que estavam sentindo era a igualdade que eles procuravam para ter razão o suficiente para cobrir toda diferença. Como se o mundo parasse de girar por causa de uma simples estrela ou como se a lua se entregasse por inteira para o mar. E as ilhas criassem coragem de desistir da solidão e nadassem para se juntar a outras terras. Neste dia, um Homem e uma Elfa fizeram o que grande parte da natureza sempre ainda teme fazer.

- Eu sempre te amei sempre te desejei, acima da morte e para além da vida. Como a chuva eu nunca vou temer cair, pois da queda nasce sempre um homem mais forte, quando se levanta. Não serei o sol que esconde as estrelas, fazendo o mesmo com meus sentimentos.  – disse ele, convicto de que a morte agora era seu destino por merecimento.

- Mas ainda que passes pela morte, há mais vida além. E eu nunca deixarei que se vás por qualquer estrada sozinho. Ninguém é tão diferente para não ter nada igual.  Amar é como esperar algo para dar errado, mas enquanto nada se desvia de seu curso, não há razão para não acreditar no erro. Amar é sentir uma fome que só a morte pode saciar.

Assim passaram a manhã, juntos, abraçados, colados, como se o mundo fosse acabar. Como se o Rio Estreito estava prestes a secar, eles se abraçavam como se fossem a própria vida. É difícil estar apaixonado, mas pior é querer amar e não conseguir. Aquele era o momento que os dois se dividiam entre a linha de querer e não poder.

Horas, depois de incontáveis águas descerem, Rodwin, outro grande elfo, praticamente irmão de Gwindor, juntou-se aos dois para mais um dia de treinos e aventuras. Pois eles costumavam a ensinar os movimentos élficos de ataques e defesas a Gwindor, já que desde a morte de seu pai, ele começou a passar mais tempo com os elfos do que com a sua própria raça. Criando nele uma admiração pelos elfos que homem algum jamais poderia ter pela distância das duas raças. Apesar de não serem inimigos, os elfos sempre evitaram um contato mais profundo. Pois os homens usavam da natureza e os elfos tinham seu coração plantado nas árvores.

Foi depois de almoçar coelhos cozidos com batata e descansar um pouco que Gwindor junto de Lauriel e Rodwin, que era um exímio lutador, mas não por isso menos hábil nos ofícios de artes que todos os elfos são adeptos. Foi enquanto que os dois, Gwindor e Rodwin, pegaram suas espadas de madeira e seguiram para treinar luta corpo a corpo.
Os dois em posição de batalha, Rodwin que deu o primeiro movimento, pulando num salto que somente os elfos podiam, deixando os pés na altura da cabeça de Gwindor, levantou a espada pronto para golpeá-lo de frente, então Gwindor se esquivou para o lado, deixando Rodwin sem seu alvo a frente, e Gwindor passando para o lado preparou um golpe que pegaria Rodwin pelo lado, que teria dado certo, se Rodwin não fosse um elfo, ou melhor, se Rodwin não fosse Rodwin, o mesmo levantando rapidamente sua espada para proteger sua lateral, já deixou o corpo preparado para uma sequência de hits. Gwindor percebendo o movimento do amigo, e no mento, adversário fez o mesmo, então foram aproximadamente trinta hits sem parar, corpo a corpo, ataque e defesa. Ataques e defesas perfeitas de ambos os lados.

Enquanto treinavam, sorrateiramente por dentro do mato alto e arbustos, se aprontavam 40 Ógloraks. A origem desses seres é desconhecida, porém acreditava-se que eles eram alguma mutação ou até mesmo alguma, até então, desconhecida ramificação da família dos orcs, pois suas aparências poderiam ser facilmente confundidas, exceto por pequenas asas parecidas com  as de morcegos que davam mais impulso na hora de correr e atacar, mas não eram fortes o suficientes para fazê-los voar. Este bando liderado por Uglak estava rondando pelas fronteiras até que sentiram o cheiro dos três. Então saltaram por sobre Lauriel e a imobilizaram e foram completamente cercados. Eles então exigindo que não lutassem e fossem prisioneiros para evitar as próprias mortes, Lauriel com uma adaga pressionando seu pescoço disse de súbito:
- Não se rendam. O sangue élfico não lhe servirá de moeda de troca. Escolhemos a morte se assim for.

A própria Lauriel após pronuncia sua preferência à morte do que ao cativeiro puxou uma adaga élfica da realeza, forjada pelos mais experientes Mestres neste ofício, feita não só para ser resistente ao enfrentar outras lâminas ou resistências como foi feita tão afiada para que não haja carne que não possa ser perfurada, como também foi feita pela Palavra da Pureza dos elfos, para que não haja nenhum ser impuro e sujo o suficiente que seja penetrado não possa ser limpo.

Então nesta atitude enérgica, Lauriel puxou sua Poderosa Adaga e na velocidade do vento girou cortando a barriga do soldado que a segurava, esse caindo se revirando e debatendo lutando contra o poder que tirava toda impureza que existia no seu ser. Uglak sem hesitar saltou sobre ele e perfurou o coração e num grito de ódio e desespero a batalha começou. Rodwin e Gwindor num movimento mútuo giraram jogando as espadas de madeiras em cima dos adversários e logo puxando suas espadas partiram para cima de todos. Gwindor tinha na cabeça sua amada Lauriel. Estava claramente lutando mais do que por sua própria pele, mas pela pele mais suave e doce que já sentiu. A pele de seu amor. Rodwin, por sua vez, saltava por cima de todos os adversários, em certos momentos com alguma dificuldade. Pois esses não eram simples Orcs esses eram, desconhecidos e sem nada a perder, Ógloraks que estavam reconhecendo o lugar. Mas o mal não pode negar a sua essência de alastrar a maldade. Contudo, eles caíam de um a um perante Rodwin. Depois de lutar e eliminar os 15 a sua frente, guardou a espada e puxou seu arco e pegando suas flechas, de sua aljava, foi atirando nos que estavam distantes dando cobertura a Gwindor, que sozinho havia derrubado mais 15. Rodwin acertou cinco, das cinco flechas que tinha. E também não me resta dúvida que Lauriel com a luz do seu corpo incapacitou os outros três restantes que incessantemente queriam prendê-la, mas caíram diante do poder da Adaga. O líder, porém, Uglak, vendo a derrota correu. Fugiu para os lugares ermos de onde vieram. Porém o peso continuou no coração dos combatentes vencedores. Estava claro que aquilo não era uma simples coincidência, e sim, um grupo fortemente armado com a missão de descobrir novas terras para serem habitadas. Pelo que parecia, eles estavam diante da maior batalha que aquele vilarejo já viveu.

Escrito por Thiago Ayres às 01h04 AM
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Domingo , 23 de Janeiro de 2011


Poema Quase um Soneto (de recordação)

 

Meu amor escrevo-lhes esses versos para que lembres de mim

Para que lembres sempre que o nosso amor foi tão bom

E diga a minha alma a meu coração que eu não amei em vão

Amei-te com o prestante amor de amante, amei-te até o fim

 

E o que restou foi o amor adiado, aguardando quem o complete

Amor não sorvido por completo, desfez-se em um instante

No qual ímpar ficou guardado no fundo de poste-restante

E par ficará quando de súbito outro ímpar passe e o complete

 

Resistirá a cada vão momento no meu pensamento

A idéia reiterada de não mais ter teu afago

Mas o Tempo trará ao seu tempo o seu ungüento 

 

Ainda que pareça que escrever seja um ato de covardia

Não pense assim do seu poetinha que outrora amou

Meu bem, veja, há coisas que são vão bem com poesia

 

 

 

                                                                 Lucas Chelles, Rio 2011

Escrito por Lucas Chelles às 03h53 PM
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Segunda-feira , 15 de Novembro de 2010


História de duas Pessoas II

Havia um tempo em que amor não era medido e nem pesado. Pois a medida podia lhe custar a vida e o peso a alma, não havia preço alto o suficiente que lhes pagassem a desistência. E ao mais curioso é que desistência era sinônimo de morte: Quando você desiste é porque morreu, pois é melhor estar morto do que desistir e andar. Nada conseguia ter maior valor do que aquele sorriso ou significar mais do que aqueles cabelos voando ao vento e aqueles olhos, ah! Aqueles olhos, você daria a sua vida por eles. Sem nem ao mesmo perceber, sua vida passou a valer a um par incomparável de olhos azuis.

Até em meio às trevas que os separam hoje eles conseguem se ver, pois as almas conseguem se enxergar seja lá onde elas estejam, sua conexão vai além da luz do sol. Embora os corpos tentem ignorar, eu que vos conto esta história posso lhes assegurar, eles não podem impedir seus corpos de sentirem as pancadas de suas almas desesperadas por dentro, quase que sufocadas, sendo alimentadas pelos pensamentos de falsas esperanças e mentiras que tudo vai ficar bem, que não era o certo, que não era tão forte assim, que não era amor. E quer saber? Seus tolos! Se vossos pensamentos tivessem ouvidos, eles ouviriam vossas almas gritando: Se não era para ser tão grande assim ou tão forte, por que estou aqui me sentindo trancado e sufocado? Por que dentro do corpo que sempre habitei me sinto, agora, um estranho? E por que seus olhos não me refletem mais? Nem me trazem mais a luz do sol? ALMAS NÃO SÃO FEITAS DE JUNTAS E OSSOS! Muito menos o amor dos pensamentos baratos e de suas crenças falidas!

Ah! Se os pensamentos tivessem ouvidos, mas infelizmente eles não têm. O problema de você viver em um sonho, é que você nunca vai acordar para torná-lo realidade e em qualquer instância SEMPRE será melhor viver do que sonhar. Tudo o que você constrói em um sonho é derrubado ao despertar, o que você faz em vida você pode fazer durar até o seu último dia e quando não houver mais dia, tudo estará eternizado. É o que infelizmente acontece hoje eles dormem para sonhar com sua vida real e odeiam acordar para o seu pior pesadelo. Vivendo entre o que é real e apenas um mero sonho. É o que acontece hoje em dia, todas as almas de falsos combatentes, desertores de mãos cheias, corações vazios e almas destruídas. Todos eles alimentandos suas almas que definham dentro deles e surdos aos seus gritos. Preferem endurecer-se com a cicatriz de mais um machucado calados do que terem suas honras pelas feridas no fim da guerra ou sua memória lembrada pela honrosa morte.

Todos celebram à vida mas o que dizer ante à morte? Deixe o seu amor falar mais alto pois amar vale mais do que a vida. "Morrer de amores" hoje em dia é mais um momento do que uma causa e amar é mais temporário do que um tempo de vida. Hoje em dia parece que lágrimas carregam para o chão todo o sentimento que era para ser eterno e forte. Amar é decisão, mas uma decisão acertada lhe trás prazer e mantém o sentimento vivo para sempre, mesmo sendo uma decisão não quer dizer que seja desprovida de sentimentos. Eles preferiram seguir a razão e a razão sem acompanhante é uma adaga que só perfura sem se preocupar com a hora de ser retirada. E é por isso que há uma dor, uma dor que não cessa, pois para essa adaga só a mão que a crave.

É por isso que não tenho mais prazer em lhes contar esta história, pois a magia do sol da meia noite se perdeu nos olhos de dois jovens. Os campos são sempre amarelos e não crescem mais, não há mais quem resista e muito menos quem insista. Nem todos que estão vivos estão exercendo seu direito à vida mas à morte basta estar respirando para exercer. Em vida a única coisa que não podem roubar de você, é a morte. Então certifique-se de lutar por tudo que lhe pareça valioso. E mesmo se eu juntar mais derrotas do que vitórias, quando eu estiver a ponto de fechar meus olhos para sempre, se tiver a oportunidade, quero, enquanto estiver os fechando, pensar que ao menos lutei e tentei por tudo aquilo que acreditei e não me lamentar por ainda querer voltar e fazer o que não fiz. Se tiver faltando um lema em sua vida hoje, então esteja certo de aderir este: Se você tiver um país, lute por ele. Se você tiver um amor, não se atreva a desistir dele.

Escrito por Thiago Ayres às 04h41 AM
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Quarta-feira , 10 de Novembro de 2010


Olá bacunudos desse blog que agora sou 'sócio' com meu amigo Thiago, dou as caras pela segunda vez com um poema do saudoso Vinicius de Moraes, para os que conhecem enjoy again, para os que não, sabaroem esse poema com aquela pitada de humor apresentada por esse gênio popular. Um pouco de refresco para essa vida que agente anda levando!!!

Não comerei da alface a verde pétala

 

Não comerei da alface a verde pétala
Nem da cenoura as hóstias desbotadas
Deixarei as pastagens às manadas
E a quem mais aprouver fazer dieta.

Cajus hei de chupar, mangas-espadas
Talvez pouco elegantes para um poeta
Mas pêras e maçãs, deixo-as ao esteta
Que acredita no cromo das saladas.

Não nasci ruminante como os bois
Nem como os coelhos, roedor; nasci
Omnívoro; dêem-me feijão com arroz

E um bife, e um queijo forte, e parati
E eu morrerei, feliz, do coração
De ter vivido sem comer em vão.

 

 

Los Angeles, 1947

Escrito por Lucas Chelles às 02h44 PM
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Sábado , 11 de Setembro de 2010


 
 

Poema Admirado

                                        "...dorme, que assim

                                            dormirás um dia, na minha poesia

                                            de um sono sem fim..." (Vinicius de Moraes)  

 

Branca, branca, branca,
Olhar longe, solitário, lúbrico
Súbito me encantou

Ah! Como quero esta mulher
Que me ponho a olhar,
Admiro-a sem deixar me perceber
Desejo-a como um furtivo amante

Sorriso leve, alma pura
Movimenta de leve o pescoço
E vejo seu dorso
Longo e branco como a neve

Desejável és mulher admirada
Pudera eu ser poeta
E fazer-lhes frases de amor!

Por Lucas Chelles
22 de Agosto de 2010, Nova Friburgo.


Enfim, esse é um poema de um grande amigo meu e musico. Identifiquei-me por demais com o que ele escreveu, neste momento que estou passando. Espero que gostem, eu amei.
Para quem quiser seguí-lo no twitter: @lucaschelles

 

 

Categoria: Poema
Escrito por Thiago Ayres às 05h17 PM
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Segunda-feira , 06 de Setembro de 2010


História de duas pessoas.

Como uma história sem fim tudo começou em um dia em que a mudança veio repentinamente. Como se de um momento para o outro as nuvens corressem de vista deixando o céu completamente limpo, o suficiente para que eu pudesse te ver e mais do que te ver, me apaixonar. E não só para ele mas, para ela também foi como se todos os seus castelos acabassem de serem destruídos e vandalizados. Tudo o que parecia ser seguro para os dois mostrou-se completamente frágil e frio, onde pareciam ter quatro paredes nos protegendo foi-se revelado que era apenas o horizonte e que estamos em pé a céu aberto. Quando uma ilusão lhe é revelada é difícil acreditar na realidade, ainda mais quando se vive numa ilusão por muito tempo. A luz do sol mostrou o estado de tudo que estava no escuro por tanto tempo.

A esperança permanece através de seus olhos e mesmo quando eles se fecham ela brilha como se fosse o sol ou como se sua alma lutasse se para morrer ou para manter-se viva ninguém sabe ainda. Eu tenho alma, mas não sou um soldado. E mesmo que estivessem dispostos a desistir um do outro suas almas não estão, seus corações recusarão pelo resto da vida. Sua mente pode se acostumar com uma ilusão, seus olhos podem ser confundidos, mas o coração enxerga melhor que os olhos e a alma é mais sábia que a mente. Poderiam suas almas e corações caminharem de volta para onde vieram mas elas nunca os deixariam em paz, nunca os deixaria esquecer.

Assim que começou uma onda invadiu e destruiu e com os destroços devemos construir algo novo para nós dois, mas o momento é de reunir forças, é de reunir coragem, porque nada vai voltar a ser como foi antes, nem o piscar de olho vai ser o mesmo, estão mudados por dentro e pela relutância vai ser para sempre. Os toques queimam mais que a pele, eles acendem suas almas; os olhares prendem suas almas uma na outra. Não há caminho de volta, mas tudo vai ficar bem. Nem o poderoso tempo pode apagar o amor que um guarda pelo outro.

O seu cheiro, a sua pele, seus olhos, seus lábios, seus seios, a mão que não se sacia de te tocar, os sussurros que nunca vão cessar, o cheiro que sempre emanará, a essência que não pode ser destruída. Você meu amor, você meu amor: você está em mim e nada pode te tirar daqui. Mesmo que você vá embora e não volte, ou ande de volta para sua escuridão, a sua alma ainda vai brilhar para a minha e eu não te perderia, não de dentro de mim. Você é a única parte de mim que ninguém pode tocar.

Ele ainda pode sentir toda ardência dos toques dela em seu corpo e pode sentir seus lábios beijando cada parte e é difícil dizer um simples "tchau, nos vemos outro dia", porque tem sempre outro dia, tem sempre uma outra vez. Não há ponto final num conto vitalício, até depois da morte ele continua. E eu acredito em você e eu, tão certo que tudo ficará bem quanto o sol voltará a subir amanhã mesmo que esteja escondido pelas nuvens. Sem você eu me sinto deslocado de qualquer lugar. Lar é onde eu possa permanecer entre seus braços.

Ela não está disposta a desistir dele nem ele dela, está escrito em seus olhares. O brilho no olhar é como o amor no coração. E se o amor é maior do que a fé e a esperança então o medo é menor que uma formiga. Por onde ele for ele a levará com ele, se puder resistir. Eles ainda não conseguem ver, mas estão libertos para amar. Tudo poderia ser mais fácil, sim não vou negar a eles que poderia, mas também eles precisam saber que se tudo fosse mais fácil nada seria tão profundo e não teria tanto valor quanto tem agora. De uma guerra o vitorioso nunca tem uma vitória plena; sempre tem seus soldados feridos e amigos mortos.

E sim, aqui é onde a história toda começa...

Escrito por Thiago Ayres às 02h03 PM
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Terça-feira , 25 de Maio de 2010


Contos de Elfos e Homens - Cap. I - Elogios e Desprestígios

Eu não diria que não morri, porque a cada ar que respiro eu sinto que não sou daqui. Nem vou negar que nunca cai, pois, no chão de areia há mais rastros das palmas das minhas mãos do que de meus próprios pés. Não vou dizer que nunca fechei os olhos, porque toda vez que a escuridão me cerca, eu me perco de ti e o medo toma conta de mim e espero sentado pela luz da manhã, é só quando eu consigo confiar. Não vou dizer que meu coração nunca parou, porque muitas vezes eu senti que tudo a minha volta perdia todo movimento, o ventou parou e eu não pude mais te sentir. Não vou negar nenhuma dessas coisas, nem vou negar que nunca falhei. Porque quando você mais contou comigo, eu virei as costas como se tudo estivesse bem e só falei que tudo iria ficar bem. E desse jeito, sem erguer as mãos para te ajudar, me afastei para longe.

Eu, Gwindon, me arrependo de muitas coisas. De todas as flechas que atirei, nenhuma delas acertaram o alvo. De todas as cavalgadas que percorri por esta Terra Média não te encontrei. De todos os dias que vivo, todos eles foram amaldiçoados pela falta que você faz. Pelo calor que você me queimava no olhar, pela música de suas palavras. Acho que homem não conhecerá maior tortura do que martirizar o próprio amor, o próprio corpo, os próprios pensamentos. Quando permanecer calado é calar todas as acusações contra si. Hoje dedico minha vida para te encontrar e suplicar por perdão. - Pensou Gwindon consigo mesmo. Aliás, este é o único pensamento que rodeia sua pesada mente. Desde que se perdeu.

Gwindon era um bom homem que vivia em um vilarejo ao redor de Ismalath, uma pequena aldeia de homens, amigos de Elfos e até protegidos por eles. E era muito honrado entre Homens e Elfos por suas habilidades que superavam todos os Homens e se igualava até a alguns Elfos. Até se apaixonar por bela e graciosa Lauriel, uma Elfa cujo olhar era mais aguçado que de uma águia e os ouvidos ouviam além das montanhas. Sua voz era ouvida por todos que caminhavam pelos bosques, com suas canções sobre os tempos antigos em que os grandes Heróis Élficos salvaram o mundo de um mal terrível. Desde então ele viveu para conquistar essa bela elfa. E o seu amor, força, habilidade e fama foram as principais razões de sua queda.

Em um dia comum de verão Gwindon saíra com Laurion, pai de Lauriel e Rei de Larroth bosque e território dos elfos. As caçadas geralmente eram realizadas longe de Larroth, em Guinor perto da montanha das aves, o local mais apropriado para se atirar flechas ou simplesmente brincar de tiro ao alvo, uma coisa que era difícil ou praticamente impossível derrotar um elfo. Foi num desses belos dias que os dois se depararam com mais ou menos cinquenta goblins, uma raça de orc, não preciso dizer que isso foi apenas o começo da festa para Laurion e Gwindon, foi uma luta rápida porém árdua, pois, mal acabavam de cravar a espada em um e já tinha que retirá-la para defender-se de outro golpe, porém Gwindon ao lado de Laurion não fraquejou em nenhum momento, Laurion escondeu sua surpresa quando viu Gwindon saltar para o meio deles e rodar decepando vários de uma vez, até todos não estarem mais de pé. E então sentaram-se às margens do rio estreito e conversaram sobre sua boa luta. Mas o maior erro de Gwindon foi encher-se dos elogios que vinham dos elfos e querer ser mais como eles e não aceitar suas limitações como homem.

Até que se pegou literalmente apaixonado por Lauriel
, pois quando não estava com Laurion, estava com sua filha aprendendo mais sobre os elfos e sobre as histórias passadas, como vocês vão descobrir como Gwindon ficou órfão, e por seus pais terem bastante amizade com os elfos, Laurion acabou adotando-o não como próprio filho mas alguém muito querido. Ele sabia dos perigos que começou a correr após perceber o amor que carregava no peito e por quem carregava, se iria viver ou morrer ele não podia saber, mas uma coisa era certa sobre seu futuro; ambos caminhos que tomasse, haveria uma estrada tortuosa e cheias de espinhos e perigos lhe esperando e assim ficou até o anoitecer sozinho vendo o rio estreito e ver as águas para sempre irem embora e a velha árvore que nomeou de Gwindor, nome de seu pai, pensando em qual dores estariam lhe sendo reservadas até que encontrasse de verdade a felicidade...

Continua no próximo post.

Escrito por Thiago Ayres às 02h52 AM
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Sexta-feira , 02 de Abril de 2010


Única Exceção.

Os pingos de chuva no mar, sob o sol eram idênticos ao seus olhos a lacrimejar. Me deixam tão desnorteado quanto o próprio sul. Ao ressoar dos ventos e das ondas do mar, não há palavras com o que falar a dor partida da lágrima no olhar. É pior do que não ter para onde ir, do que não ter o que falar, do que não ter fazer, pior que tudo isso, é ter que olhar no olhar. Ter que te ver ficando distante sem perder o brilho daquele lacrimejo, é igual a ver a pontinha da luz da esperança sendo abraçada pela escuridão e então, o que vem depois?.... O que esperar quando seus olhos e você estão envolvidos por mais nada do que trevas?

Neste exato momento você aprende a esperar. Você só aprende uma coisa, de fato, quando você só tem como opção fazer essa suposta coisa. Neste dia aprendi a esperar. Aprendi a esperar pelas suas palavras, pela sua mão, pelo seu olhar, seu sorriso. No escuro tudo o que você mais, nem sempre é a luz, e sim alguém que te faça acreditar que ela brilhará, até você chegar só o que eu poderia fazer era esperar. Quando você se recusa a fechar os olhos e vê aquilo que realmente importa, que sempre estive ao seu lado, no tempo certo, as luzes ao seu redor se apagam para que mesmo de olhos abertos eles pareçam sempre fechados. É só de olhos fechados que vemos quem está do lado mas de olhos abertos não parece estar lá. É só no meio da escuridão em que tudo parece mais distante que vemos quem está realmente perto. É só no meio do nada com nada para fazer que aprendemos a realmente confiar.

Então mesmo que imerso em trevas seus olhos serão abertos, mas verás com seu coração e não com seu cérebro. Então a escuridão será nenhum oponente em seu caminho. Quando começar a sentir dentro de si o que está lá fora aí o inverno do seu coração irá passar. Quando você acha que nunca mais terá motivos para cantar ou dançar. Quando você começa a ter a certeza de que o amor só existe nas lendas onde o mocinho enfrentava bandidos destemidos para salvar sua amada, você se vê exatamente na posição do mocinho e da mocinha, porque afinal, todos tem um pouco dos dois dentro de si. Todos precisam salvar e serem salvos, tanto pelo amor, quanto de si mesmos. E quando você chega lá, você sempre encontra a única exceção. A única pessoa por quem você seria o mocinho pronto para salvar e a mocinha pronto para ser salva.

A solidão será nada mais que um aliado de motivação que lhe dirá que tudo isso vale a pena o risco de viver ou morrer, mais além, de se entregar. Porque até o mesmo o mísero pontinho de realidade te guia para este efêmero sonho exatamente para torná-lo eterno. E isso acontece quando você encontra a única exceção, a única razão, o único motivo que te mantém caminhando pela rua do "acreditando". Do começo com "r" até o fim da mesma com "a" eu não vou desistir de chegar. Pois, amor, você é a única exceção; que me faz caminhar, em meio a escuridão, por cima das nuvens, por sobre o mar, mesmo quando não há onde pisar, nem onde chegar, esse é um caminho onde só o amor pode chegar. E você é a única exceção, que vale a pena tomar o risco. Só se for pela única exceção.

Thiago Ayres

Escrito por Thiago Ayres às 10h18 PM
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Domingo , 14 de Fevereiro de 2010


O incrédulo subentendido.

Esta madrugada foi escolhida, por quem quer que seja, para que eu sentisse sua falta. Ou a falta que eu sinto de você escolheu essa madrugada para me lembrar que eu ainda sinto falta de ti. Que, em nenhum, desses anos ela se retirou daqui e pelo que parece ela se recusa por completo ir embora, pelo menos, não até tudo ser esclarecido. Desde que você se foi, meus sentimentos são uma nuvem negra. Desde que você, repentinamente, escolheu partir a última visão que tenho todas as noites é da estrada com o sol grande em seu final caindo em sua majestade. Onde imagino sua silhueta movendo-se para longe, sem saber se ao menos você olhou para trás antes de atravessar o horizonte.

Em especial, lembro daquela vez no Mc Donald's que ficamos sentados de frente um olhando para o outro, depois da aula, quando você disse: - Não adianta, ninguém consegue vencer de mim em "quem ri primeiro". - Então subitamente eu lhe respondi.
- Eu não contaria a vitória antes de conquistá-la. Você se diz boa em não rir primeiro mas nunca testou minha capacidade. - E então ficamos ali por minutos, que ao mirar seu olhar pareciam horas e queria que se tornassem anos, séculos se possível, Deus por favor, deixe que se tornem milênios, deixe-me ficar milênios mirando aquele olhar. Foi então que outra pessoa me fez rir. Sim, tiraram minha atenção. Você não ganhou essa partida, apesar de você afirmar veementemente que você ganhou.

Ou então das aulas ao seu lado e todas elas segurando sua mão, ou quando eu trocava de aula só para ficar ao seu lado. Ou quando saíamos de todas as aulas só para ficar um do lado do outro. Acho que pior do que ser obrigado a disfarçar, é ser fadado à disfarçar sem êxito algum. Pois, ao meu ver, quando se ama de verdade você está fadado a ser transparente. E assim a gente era, para quem quisesse olhar e ver. Todas as vezes naquele bosque segurando sua mão ou todas as vezes no msn ou todas as vezes nas sms... Era sempre você. O amor nunca iria deixar de significar a menina loirinha de olhos castanhos. Nem em uma vida inteira.

Depois de tudo isso nunca achei que te veria de novo nem mesmo por acaso, e ainda mais depis de tantos anos e depois de tantos acontecimentos que, com certeza, abalaram nossas vidas. Até o dia que, finalmente, encontrei você. E sei que você me viu, pois conheço aquele seu olhar. Olhar de espanto que costumava a mirar para mim, antes, espanto de quem queria entender todo o sentimento que estava a nos envolver. Hoje, espanto, de quem sem norte, sem direção, sem saber o que fazer. Não um espanto apaixonado, mas um daqueles bem desesperado. E como de costume, não se soube disfarçar. É triste quando o fim chega mais cedo porque a gente deixou de acreditar.

É, quando a gente chega neste sádico fim não temos para onde correr, nem para quem recorrer. Se seus amigos forem verdadeiros eles lhe apontarão que esta rua não tem saída e te encorajarão a voltar pelo mesmo caminho e enfrentar tudo o que ficou para trás. Quem provou, uma vez, do verdadeiro amor. Mesmo que se afaste dele nunca mais o deixa de provar. Mas se não me for dada a dádiva de ser o homem mais feliz do mundo ao seu lado, espero que quem seja abençoado com esta dádiva saiba viver isso intensamente e que você nunca deixe de acreditar. Mas caso você volte a acreditar em tudo que foi dito e feito, pois nada é em vão, volte pois sei que ainda temos um futuro exuberante para viver juntos. E para finalizar, se acontecesse de tudo se repetir. Só uma frase de um livro me viria na cabeça como resposta: - por você, eu faria isso mil vezes!

Thiago Ayres.

Escrito por Thiago Ayres às 05h36 AM
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Sexta-feira , 12 de Fevereiro de 2010


Dia Perfeito

"Os raios do sol dançavam em meus olhos enquanto ele subia majestoso aos seus domínios no céu. Nesse dia meu coração batia brando como se suas mãos fossem a força que o fazia pulsar. Ah! Suas pequenas mãos! Como as amava! Você é toda natureza que pode haver em mim. Os pássaros voando, as nuvens passeando, as árvores dançando. A areia parecia massagear meus pés. E mesmo com todo aquele sol, eram seus olhos que aqueciam do meu corpo até minh'alma. E apesar da areia a me massagear, é ao seu toque que minha pele arrepia e todo meu ser jubila. Esse era um dia para não ter fim."

O dia que descrevi acima representa, querida Michelle, o dia que o sentimento que alimento e cuido por ti causa em mim. Não importando a situação climática, dentro de mim é sempre o dia perfeito por causa de ti. Como eu gostaria que você visse em mim tudo o que vejo em ti. Amar, para mim, é desistir dos passos de suas pernas para pisar noutras pisaduras e quando um faz o mesmo pelo outro os dois não precisam fazer por si mesmo. Afinal, amar é cuidar do outro. Amor é uma cadeia completa, o que dá a idéia de perfeito.


Muito ao contrário do que muitos pensam por aí, para mim, Dean, perfeito é algo completo, que em sua plenitude não faltam defeitos, pois, sem os mesmos não seria completo, logo, deixaria de ser perfeito. Se não houvesse virtude não haveria razão para amar, e se os defeitos não existissem não haveria razão, entre os homens, para amar cada vez mais. E eu não seria o mesmo sem você. Se você desaparecesse eu teria uma grande parte de mim mesmo para reconstruir. Não somos feitos metades um para o outro, e sim, partes inteiras que se juntam.


Toda noite é um novo vôo para lugares onde ouço palavras de amor e a cada pedaço novo desse lugar exploro, descubro que é só mais uma parte de ti. E um monte de coisa me levou a uma só "quanto mais tempo você passa pensando, menos você saberá o que fazer". Mas que conselho um sábio poderia dar quando amor lhe conduz para o fim de uma estrada e ao início de duas? Quem poderia dizer estar certo da qual seguir? Quando pensar não é o suficiente para me guiar até ti, fecho os meus olhos, pois, meu coração pode te ver melhor que meus olhos. Talvez essa seja uma nuvem que já vai passar e chover para florescer noutro dia perfeito que só você pode me proporcionar.

Thiago Ayres

Escrito por Thiago Ayres às 04h19 AM
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Sexta-feira , 29 de Janeiro de 2010


Por Você.

Mais uma vez acordado às seis AM. Como são normais todas essas manhãs, o que mais me motivava a levantar e me preparar para ir eram as pessoas que eu estava para encontrar em todos os meus dias de semana. Os mesmos rostos amigos muitos queridos. Eles eram um paradoxo, o paradoxo dos mesmos fazendo o que parecia os mesmos dias serem diferentes. Só um segredo que eu nunca revelaria. Aquelas manhãs eram simplesmente manhãs na escola até te ver passar, depois disso eu sabia porque realmente ia, porque realmente gostava de estar ali, por que gostava tanto daquele prédio e daquelas pessoas. De alguma forma você era se tornou a fonte de tudo de bom que poderia haver em mim. Te ver, naquele tempo, sempre foi essencial.

Da mesma maneira que eram minhas manhãs eram as minhas noites. Era sempre ao me deitar não exatamente na mesma hora, mas sempre no mesmo momento, ao me deitar. Sentia-me sugado para o mundo dentro dos meus olhos, ao fechar os mesmos, instantaneamente sou sugado para dentro de mim. Para o mundo onde anseio viver com você. Mesmo lá dentro eu conseguia me sentir completamente envolto de seus braços. Do seu calor, do seu amor. O melhor de tudo era ter o seu amor só para mim. E o único pesadelo era ter que abrir os olhos, porém abriria, mas numa daquelas manhãs e o que me impulsionava a ir, era te ver. Se não fosse você, não seria mais ninguém.

Era tudo tão ensurdecedor, esconder um sentimento dentro de um mundo dentro de mim. Não era diferente. Eu havia chegado ao ponto de não ter concentração para mais nada, só para sua blusa, sua pele, seus cabelos, seu sorriso. Tudo isso secretamente, talvez seja essa a razão de nunca ter me envolvido com nenhuma das meninas que constantemente se interessavam por mim. E quando você vinha falar comigo e eu tinha a chance de, sem disfarçar muito, olhar nos teus olhos diretamente e comparar o brilho dentro deles ao da lua sobre o mar. De sentir sua voz em meus tímpanos como a brisa em meu rosto. De poder te olhar por mais um momento indo, por mais que desejasse que ficasse te deixei ir. Por mais que te quisesse... E depois houve um vácuo que nos separou.

Sete anos depois, mais ou menos, não sei como descrever como é te reencontrar. Você me ensinou que o fato de não pensar não quer dizer que isso não esteja na minha cabeça. Só porque o aquecedor está quebrado não quer dizer que ele nunca mais vai voltar a me aquecer. Quando olho nos teus olhos hoje, eu tenho a certeza de que eles brilham mais do que a lua e talvez tenham sempre brilhado, mas eu nunca tivesse percebido. Eu não tenho como explicar os sentidos da vida, mas quando ela decidiu escrever minha música a melodia escrita é você. As batidas que fazem meu coração não parar. E eu mais uma vez não posso negar todos os meus sentimentos passados. Você é o meu imã e estou me deixando levar. Não vou resistir, pois não importa o que eu faça sou completamente atraído por ti.

É incrível ver que, mesmo depois de sete anos, as mesmas noites possam voltar, voltar como se nunca tivessem ido. Como se todos os meus sonhos ainda estivessem aqui, depois de tudo, esperando o momento certo para se revelar. Como se eu fosse a casa em que ele estava se protegendo da chuva. Pois sempre estaremos ligados um ao outro. Momentos como esses me fazem pensar em frases do tipo "as sombras provam a luz do sol". Nossas escolhas, em sua essência, provam o que estamos sentindo. O que constantemente sentimos e o que eu constantemente sinto é você. Quando você veio e depois se foi só fez tudo isso tomar uma dimensão maior. Porque querendo ou não seremos apaixonados um pelo outro por muitos anos. E enquanto a gente não pôde se falar esse sentimento ficou escondido para não ser perdido. O que acontecerá daqui para diante é encontrá-lo pelo caminho que passarmos.

Eu aprendi que não é porque está esquecido, está perdido. A vida poderia nos dar essa aula por milhões de vezes. Mas o nosso coração é mais inteligente do que nosso cérebro. E é o que vai provar que isso tudo é real. O quanto mais parecidos com o amor sermos, mais reais vamos ser. Você sempre foi o rosto que mudou o meu mundo, você é quem muda meu mundo. É você quem vem me mudando a cada segundo. É esse sentimento por você que continua me puxando para o vôo mais extraordinário da minha vida. Se um dia eu tiver que pular, que seja por você. Se tiver que chorar, que seja por você. Se tiver que correr, que seja por você. Se tiver que gritar, que seja por você. Só não posso deixar isso passar de novo. E se um dia eu tiver que morrer que seja por você.

Thiago Ayres.

Escrito por Thiago Ayres às 03h17 AM
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Sexta-feira , 15 de Janeiro de 2010


 
 

Sonhos de Pensamentos.

 

Eu havia me perdido dentro de mim mesmo, fui acorrentado pelas palavras que eu mesmo busquei para te dizer. Não sabia onde começava e em conseqüência disso nem onde terminava qualquer pensamento. Perdido nas esquinas dos meus pensamentos. Por outro lado não queria sair dali, só queria me achar dentro de tudo aquilo, porque, perdido ou não, eu estava no meio de todos os sonhos que sonhei sobre ti. E pra onde eu olhava encontrava você... Nos muros, nas esquinas, no céu, no chão e... Em mim, principalmente. Queria acreditar que não era tarde o suficiente para me achar no meio de tudo isso.

Foi assim que acordei suado e ofegante. - Ai! Que dor de cabeça. - ultimamente esses sonhos têm exigido muito de minha energia. Dormir era o mesmo de estar correndo desesperado e as dores de cabeça tinham se tornado freqüentes. Por mais que eu tentasse e tentasse e me empenhado a tentar não iria conseguir, por mais que corresse nem que eu tivesse o mesmo sonho cem vezes eu não conseguiria deixar todos os meus pensamentos para trás. Não que eu gostasse de toda essa situação, mas é que eu não tinha outra escolha. De você não havia para onde correr, uma vez que te encontrei; só Deus saberia o que seria de mim sem você.

Era um dia pintado de cinza com o som das ondas quebrando nas rochas e sussurro dos ventos percorrendo todo meu ser, foi fitando o oceano que vi sua figura sob as águas. Parada e solene, perfeita. Depois de alguns momentos consegui discernir todos os sussurros dos ventos, era você surrando me chamando pelo nome: - Paul... Paul... Paul... -. Corri às pressas para a margem da praia, ao chegar, subitamente minha alma gritou: - O alvorecer não chega aqui, sem ti. Eu não consigo de tirar de mim. Todo o meu mundo se foi contigo. Nesse ponto, todos os super heróis existentes não me invejavam mais, pois nenhum deles eram capazes de se salvar do amor. Exatamente como eu.

Neste dia, não queria ter acordado, muito menos estava querendo me levantar. Ainda não te tirei da cabeça pelo ao contrário: - Ceceille...!- era o meu único pensamento nessa manhã de chuva. - "Todos os super heróis existentes não me invejavam mais" - pensei nessa verdade - "O alvorecer não chega aqui, sem ti". - essa outra insistia em martelar minha cabeça. Pois bem atrás de você havia uma luz branca. Não a que te leva à vida após a morte, mas do sol. Depois disso, pelo menos, queria começar a acreditar. Pelo menos, tudo isso me fez procurar você, num vazio imenso e escuro de mim não foi difícil te achar, só foi difícil me explicar como não conseguia enxergar...

Diante de ti, sentado sob grava verde, de baixo do crepúsculo de cor de mel, dentro dos  teus olhos pedi: - Guie-me para fora de mim, se o teu amor for um rio, deixe-me nadar nele. Guie-me pela luz da lua. - minha cabeça mesmo que ainda disparada conseguiu perceber os vagalumes que dançavam por nossa volta. Então me vi obrigado a dizer : - Me beije, enquanto a lua prata está brilhando. Embaixo dessa casa na árvore quebrada, me beije. - pude sentir minha alma tocar a sua enquanto via você, com aquele vestido florido, vindo em minha direção. Senti o crepúsculo e a lua se abraçando, senti o sol rodopiando - "Se o amor é esse sentimento, então quero que ele me enlouqueça". Então beije-me. -.

Thiago Ayres

 

Categoria: Texto
Escrito por Thiago Ayres às 01h43 AM
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Sábado , 02 de Janeiro de 2010


 
 

Construa-me um Lar.

 

Era apenas um garoto. Não havia nada que eu podia fazer. Contra seus olhos não havia defesa. Nem contra sua voz, quando à noite, deitava-me e já estava acostumado a ouvir suas risadas e quando fechava os olhos, nem mais me assustava ao me deparar com você ali, tão real, tão plena, tão branca, tão, tão... Você. Ah você! A razão pelo qual gritei, e minha alma chorou. Tudo por você. E ainda assim, com o passar dos anos, você ainda é a melhor que os meus olhos já viram. E sempre será a preferida das que eles já vira. Não que já vira muitas, mas depois de ti ninguém mais servirá. Pelo menos, não tanto quanto poderia, ser. Ainda pode ser.
- É só o ritmo do meu coração acelerado - Pensava eu, sempre perto de ti.

Algum tempo depois ainda te encontro no fundo de mim tão forte quanto antigamente. Não menor, porém em parte adormecida. Eu suponho que você já deva saber, que o amor é o verdadeiro lar. E um lar é um lugar que sempre será o mesmo. É a única explicação de um garoto para isso. Também será a única de um homem. Será explicação de um homem perante Deus: Ela era o meu lar, e um lar sempre é o mesmo. É um lugar de onde você olha pela janela olha as flores dançando ao vento e pássaros entoando suas canções. O mesmo seria se olhasse em seus olhos e admirasse todo jardim da sua alma. Um lar, é o lugar onde você se entrega e ele se entrega para você. Meu lar ainda é você. O mundo atrás dos seus olhos.
- Como deve ser? Sentar à beira do rio do seu amor?!

Talvez seja o passar dos anos, mas cada vez te sinto mais perto de mim. Não sei sobre você. Mas quando realmente estive perto de ti, realmente estava, hoje que estou longe ainda me sinto perto. Não vou mentir dizendo que é igual a antigamente, pois não é, mas se parece muito como antes. O mesmo ritmo de coração, só um pouco mais lento. Mas ainda por você. Sinto mais do que gostaria de sentir, mas quando me conforta não ouso reclamar. Pois é seu conforto que eu quero. É nos meus braços que desejo te carregar, nos olhos te olhar, nos lábios te beijar e no teu corpo construir-me um lar. E de mim fazer o mesmo para você. É nos seus olhos que vejo sua dor.
- Não estou tão certo, mas voltarei para meu lar.

Eu penso em ti desde que te conheci e ainda estou pensando, ainda pensando. Naquele tempo eu não poderia imaginar que a dor seria tão forte, que a luta seria tão decepcionante. Nos meus piores medos eu fui capturado. Ainda pensando em ti, ainda pensando em ti. Ainda com o anseio dentro de mim.
- Permita-me habitar no lar que há dentro ti - Ainda estou pensando. Ainda estou pensando.
Poderia ficar aqui e contar tudo que se passou naquele verão. Até o sol se pôr, mas só o que consigo dizer são as mesmas palavras de antes, repetidas, porém verdadeiras.
- Por favor! Não vá, por favor, não me deixe congelando. Construa-me um lar dentro de seus braços abertos. É o único lugar ao qual sempre pertencerei.

Thiago Ayres

 

Categoria: Texto
Escrito por Thiago Ayres às 10h03 PM
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Sábado , 12 de Dezembro de 2009


 
 

Indesculpavelmente inescusável.

 

O medo é uma construção cujas paredes são flexíveis e resistentes o bastante para te envolver da maneira que for necessária e não soltar por força física alguma. Em minha opinião o medo é melhor descrito como prisão. Mais uma vez, em minha opinião, a pior é quando está enlocada por dentro, isso gera dois efeitos. Primeiro: a sensação de ser um pontinho insignificante diante de qualquer coisa ou pessoa. Segundo: a sensação de incapacidade mental, moral e física por dentro. Falando em outras palavras, com esta prisão, você tem duas prisões em uma só, que se chama medo. Quase que impenetrável tanto de dentro para fora como de fora para dentro, se não fosse a coragem, o amor e a força de vontade. O medo seria invencível.

Mas graças a Deus que existe um Deus que disse que não há coisa que subjugue, vá além, seja maior do que o amor. Logo, tudo pode ser alcançado, vencido e conquistado pelo poder do amor, mas não qualquer amor. É como se brotasse, em parte, por causa de você. E em outra parte pelo que é gerado por dentro de mim. Eu diria que nesse momento não há medo que me faria ficar parado a ver teu sorriso e nem incapacidade que me faria desistir de qualquer sonho quando encontro teus olhos. Não há outro momento em que eu me sinta tão nu quanto esse, quando sinto teus olhos me tocarem. Parecem que eles me perfuram e ao mesmo tempo me curam. Eles, eu sei, conseguem enxergar todas as prisões que há em mim. E num só impulso de amor, tu me libertas. Pois onde há amor, só pode haver amor.

Indesculpável, é a palavra certa para definir tudo o que sou. E indesculpavelmente, também, não preciso de nenhuma desculpa. Pois todas as minhas culpas têm sido compradas de mim a cada dia que passa, assim como seus olhos passam por mim cortando, cerrando e arrancando. Fazendo doer, mas é a dor da cura. Do mesmo jeito o seu amor cobre todos os meus defeitos, pedaços danificados ou simplesmente os meus pecados. Não de um jeito insolente, não com o fim de encobrir, deixar passar. Mas o seu amor me cobre, porém não deixa de me cobrar por melhoras, consertos e santificação. Pois qual é o pintor de uma bela obra que gostaria de deixar seu quatro para sempre coberto? Ou o esculpidor que nunca exporia sua bela estátua? Assim é o jeito que me sinto sobre ti. E isso é indesculpável. É verdade, com permissão da redundância, indesculpavelmente inescusável é o seu amor por mim.

E eu não viveria assim senão fosse por ti, não teria essa visão se não tivesse encontrado seus olhos. Não teria tanto sentido senão me fosse dado o prazer de seu toque. A perfeição tem seus estágios, e só alcança seu auge no verdadeiro amor. Eu tenho meu auge em você, só você me faz completo do jeito que nem mesmo Deus o faria. Nem como qualquer outra pessoa faria. A nossa vida daria um livro, com todas as palavras inundadas dos sentimentos e singularidades as quais foram vividas. Uma história inteiramente humana escrita pela vida de humanos que erram e acertam mas sem medo do fim, pois sabem de onde vieram e eu quero escrever tudo de mim, até a última palavra e o ponto final a gente encaixa em algum lugar, se é que ponto final existe no amor...

Thiago Ayres

Categoria: Texto
Escrito por Thiago Ayres às 05h53 AM
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