E era noite por Ismalath, quieta, sonolenta, só as folhas tinham vozes em meio ao silêncio cortante, tão profundo que concentrado tinha-se a impressão de poder ouvi-lo. Por além das montanhas a noite era praticamente eterna, as nuvens pareciam possuir vida, não espontaneamente, mas parecia que as nuvens dos lados de lá sugavam a toda a vida ao redor, prendendo dentro de si para manter-se viva, pesada, sombria. Assim é o céu das criaturas cuja perversidade parecia não ter fim, e ódio tão tênue e concentrado que se materializava em suas silhuetas na escuridão, exatamente igual as nuvens que os abrigavam na eterna escuridão. O solo em que pisavam adquiria o cheiro de suas peles, rudimentares, enrugadas, com feridas incuráveis interiores que, com o tempo, foram tão fortalecidas pelo ódio, se mostravam já como exteriores. E no chão o cheiro de enferrujado, estragado, mal cuidado, qualquer vida que obtivesse qualquer coisa boa em si e não fosse forte o suficiente a perdia facilmente e o vazio era preenchido pela escuridão.
Gwindor, o mais forte dos humanos e igualado a muitos elfos, sempre andou estas fronteiras acompanhado de Rodwin, com o tempo já andavam normalmente por estas terras, pois já haviam resistência o suficiente. Mas nunca entenderam porque esta terra estava deste jeito, por que o sol nunca chegava ali. Era a pergunta crucial, que Gwindor fazia frenquentemente àquela terra e a si mesmo, "por que o sol nunca chega verdadeiramente a mim?". Pois por todas as suas caminhadas por aquelas bandas nunca vira e muito menos ouvira nenhuma criatura estranha e repugnante pelo lugar. Mas o cheiro estava por todo lugar, tão forte, por todo lugar, que se ao desconcentrar parecia que o cheiro vinha de si mesmo. Gwindor, então disse: - esse cheiro é impregnador, amigo, enquanto estiver aqui, cheiraremos como eles.
- Sim, agora nos resta saber. Eles quem? - respondeu Rodwin, com um olhar compenetrado de seus olhos castanhos e arduamente profundos. - Eles ainda não descobriram que os Ógloraks viviam mais de baixo da terra do que por cima. E que em seus lares, nas profundezas da Terra, era incontavelmente mais concentrado o horror do que eles podiam ver na superfície. Mas neste dia, eles iriam descobrir isso. Ao caminhar pela superfície amolecida, como se fosse lama constantemente úmida, eles podiam sentir a terra tremer, ao mesmo tempo que andavam, quando de repente, duas mãos agarraram as duas pernas de Rodwin e fizeram força para baixo mas dum salto com a impulsão mais forte que um soco se livrou das mãos opressoras que o puxavam para baixo e pousando como uma águia sobre uma rocha, sendo rapidamente seguido pelas largas passadas de Gwindor até a mesma.
Claro, não precisava ser o mais inteligente dos homens para saber que naquele terreno o verdadeiro terror estava onde não se podia ver. Estava mais do que claro que a habitação das abomináveis criaturas se encontrava abaixo de onde você pisa. Logo Rodwin disse: É como dizem, mesmo com o pé no chão. Se o chão no for firme, você ainda não está a salvo. Com um leve consentimento de cabeça, Gwindor não hesitou em concordar. Esboçou a vontade de reiterar o dito de seu fiel amigo, mas foi interrompido pelo mórbido tremor de terra. Mais estranho do que o comum, pois, dava para sentir que não era toda a Terra ou uma grande parte de Terra que estava tremendo e sim lugares específicos, para ser mais exato, só onde a própria terra se movimentava, como se um grande animal que vive por entre a terra e o subsolo estivesse prestes a submergir em todo o seu furor. E a teoria não estava errada, corroborando o fato de que eles de fato viviam no subsolo. Então, puderam ver muitos, incontáveis mãos cavando de baixo para cima, de súbito puderam ver cabeças, ombros, asas e as pernas. Em menos de dois minutos puderam ver, praticamente, um exército maligno a sua frente. Então entre olharam-se, encostaram em suas armas e então começaram a prova de quantos matariam até suas forças acabarem e morressem...
Essa é uma região que ficava perto do mar, apesar de toda escuridão, o literal continuava intocável. Sabe-se lá por que. Há boatos que a resistência do literal mora na pureza de uma guerreira élfica, linda e vigorosa. Delicada e rígida. Tão forte de se olhar e tão mais forte ainda de se ver em uma batalha e suas armas e seus braços não eram suas únicas armas, era mais conhecida por sua arma mais perigosa ser o seu cérebro. Era conhecida como Élfa do Mar, Elfa-Azul, Rainha dos Oceanos e por muitos outros nomes que os velejadores, pescadores a imaginavam. Contudo, o seu verdadeiro nome, Nowëttyn, carregada todos esses significados em si. Ninguém ousava a enfrentar em batalha, muito menos invadir sua ilha. Se o mau tinha algum pretensão de dominar o mundo, a Ilha de Imlanyör era, com toda certeza, o último alvo a ser conquistado e destruído.
- Nowëttyn! Nowëttyn! Corra, há algo de estranho, uma movimentação fora do comum sobre a Terra, posso estar errada, mas... - Dizia Nirling, enquanto apressada, já se levantava, Nowëttyn e corria como o vento, para a ponta da pedra que dava visão para a terra, onde mantinha sempre guarda.
- Como havia sentido! Sabia, são eles! NIRLING, CONVOQUE TODOS OS GUERREIROS PARTIMOS JÁ! - Respondeu com os pulmões cheios, olhos brilhantes e a expressão de uma rocha milenar!
E lá se foi Nirling correndo o mais rápido podia para convocar a todos. Muito mais rápido do que o esperado todos já estavam prontos em seus barcos, em direção à Terra firme. A ajuda!
- VAMOS LÁ! É AGORA!!! AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!! - Rodwin deu um salto para o meio de todos eles e com golpes na velocidade da luz ia os cortando como papel e logo atrás veio Gwindor gritando - VAMOS LÁ, QUANTOS VAMOS MATAR ANTES DE MORRER! APOSTO QUE SUPERO VOCÊ! AH-AH-AH! - Com uma risada sinistra e espantadora saiu do fundo da sua alma naquele momento em que tudo poderia dar errado. Um de costas para o outro com passos sincronizados, em círculos iam cortando, em horas levando golpes, mas nunca se rendendo, até o ponto que em que parecia uma simples questão de tempo para toda a força acabar. Não havia para onde correr, fosse pelo exercito ou pelos corpos mortos amontoados em volta de qualquer jeito. Por um segundo pararam, exaustos, e ao mesmo tempo exclamaram - ATÉ O FIM!!
Continuaram, matando e ao mesmo tempo se matando, até que se viram encurralados na rocha em que se firmaram por instantes antes da batalha. Era iminente, parecia o fim. Quando toda aquela escuridão se transformou em luz, parecia o sol, parecia a chegada do dia onde não havia dia. E tudo parou e todos olharam para cima. Lá estava ela, imponente, com seu arco preparado, sem nem pensar duas vezes gritou e mais rápido que o vento disparou flechas flamejantes sem errar um alvo se quer, e então Nirling levantando sua espada saltou para o meio dos três e em seguida 40 Elfos, todos poderosos, verde-cinza, fortes, tão fortes quanto a rocha atrás deles. Desde então o momento parou de ser uma luta para ser um massacre. Até que todos debandaram e só sobrarem os Elfos da Ilha o Homem e e o Elfo-Guerreiro.
Os dois ainda sem entender o que houve, então veem a forma em sua frente, o sorriso sarcástico, então as seguintes palavras os fizeram entender tudo:
- Quantas vezes terei de salvar vocês?! hi hi hi hi hi - e sorriu, graciosamente...



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